4º SEMINÁRIO PIAUIENSE DE AGROECOLOGIA 
GRUPOS DE TRABALHOS - GTS´s GT01 – Gênero, feminismo e agroecologia
Coordenação:
-Márcia Mendes Santos Araújo - Assistente Social. EMATER/ PI.
-Sarah Luiza de Souza Moreira. Mestranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural na UNB. Integrante do GT Mulheres da ANA.

Esse Grupo de Trabalho (GT) parte do postulado de que “Sem feminismo não há agroecologia”, lema que traz a necessidade da agroecologia considerar em sua reflexão-ação os conflitos e desafios consequentes das relações desiguais de gênero, raça, etnia e geracionais colocando-se como uma ciência crítica na transformação da realidade social no campo e na cidade. Nessa perspectiva, acreditamos que promover espaços que possibilitem diálogos e reflexões coletivas sobre as relações sociais de gênero e a convergência entre o feminismo e a agroecologia torna-se relevante para a compreensão da agroecologia como um projeto de vida e não apenas como um modelo de produção. A teoria crítica feminista fortalece as lutas sociais das mulheres enquanto sujeito político de direitos na busca pelo reconhecimento do seu trabalho, de suas percepções, contribuições e anseios, bem como, contribui para o debate sobre a promoção e o acesso às políticas públicas. Considerando a relevância do protagonismo das mulheres na agroecologia para a construção do conhecimento, esse GT se propõe a receber contribuições deestudos, reflexões e discussões no arcabouço do atual debate sobre gênero, feminismo e agroecologia que levem em consideração as temáticas: a) a organização social e política das mulheres; b) políticas públicas específicas e como as políticas gerais contribuem para a mudança na realidade de opressão e desigualdade; c) saberes tradicionais e a importância da sistematização das experiências das mulheres; e d) soberania e segurança alimentar, a convivência com os diferentes biomas.

GT02: Juventude Rural, Sucessão Familiar e Agroecologia
Coordenação:
-Maria Aparecida Milanez Cavalcante - Mestre em Sociologia pela UFPI – Universidade Federal do Piauí.
-Lila Cristina Xavier Luz - Doutora em Serviço Social-PUC-SP. Universidade Federal do Piauí.
-Theresa Rachel Mendes da Silva Rodrigues - Mestre e Sociologia pela UFPI.

O grupo de trabalho pretende abrigar estudos que problematizem as contradições geradas pelo modelo conservador e hegemônico de produção capitalista, expresso na Revolução Verde e pela política neoliberal com Contra-Reforma Agrária no Brasil. Esta sociabilidade destrutiva do capital, tem provocado transformações territoriais com a ocupação do modelo de monocultura de grãos, sucroalcooleira, geração de energias etc. para produção de commodities. Como impacto deste modelo tem-se o aumento da desigualdade social e da pobreza rural, movimentos migratórios e expulsão de camponeses, quilombolas e indígenas de suas terras, incorporação de parcela da juventude rural às formas precárias de trabalho passando a assalariados/as rurais. Este movimento tem ameaçado o modo de produção camponês, e a sucessão na agricultura familiar, além de provocar danos ao meio ambiente e à saúde coletiva e do/a trabalhador/a com a contaminação por agrotóxico. Frente a isso, o GT busca ainda abrigar trabalhos que apresentem alternativas econômicas, políticas, sociais, tecnológicas e culturais, no âmbito da agroecologia que fortaleça as lutas por reforma agrária e possibilidades de produção e reprodução das juventudes rurais no campo e/ou na cidade nos seguintes temas: a) Agronegócio, contradições de classes, assalariados rurais; b) Neoliberalismo, Contra Reforma Agrária, Sucessão na Agricultura Familiar; c) Juventude Quilombola, Projetos de Desenvolvimento, Hegemonia e; d) Juventude campesina, Reforma Agrária, Agroecologia.

GT03: Agricultura urbana, periurbana, quintais e agroecologia
Coordenação:
-Eduardo Oliveira - Ms. em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Universidade Federal do Piauí.
-Júlia Aires - Esp. em Agricultura Tropical, Consultora Quintais Produtivos SDR/PVSA/IICA
-Francisca Layanne Chaves – Graduanda de Engenharia Agronômica na UFPI.

Relatórios recentes das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação tem evidenciado que pelo menos 20% dos alimentos frescos consumidos no mundo são produzidos em áreas urbanas. Entretanto, boa parte da população mundial ainda convive com a dificuldade de acesso a alimentos de qualidade. Com efeito, torna-se necessário viabilizar espaços para discussão e disseminação de alternativas produtivas mais preocupadas com os seres humanos e harmônicas com o meio ambiente. Diante disso, o referido Grupo de Trabalho pretende articular os diversos saberes e experiências que concorram para a promoção da agroecologianas cidades e seus entornos, assim como nos espaços rurais, especificamente nos quintais, trazendo como temáticas principais: a) experiências agroecológicas familiares e de subsistência; b) democratização dos recursos naturais e bens comuns; c) sustentabilidade urbana; d) planejamento urbano e regeneração ecológica; e) processos ecológicos de produção alimentar (selos ecológicos); f) quintais produtivos urbanos, periurbanos e rurais; g) resiliência e enfrentamento às mudanças climáticas; h) permacultura e; i) Saberes e práticas sócio produtivas agrícolas contra hegemônicas ao capital.

GT04: Políticas Públicas: ATER e mercados alternativos para a produção de base agroecológica.
Coordenadores:
-Maria Elza Soares da Silva – Doutoranda em Sociologia na UFRGS.
-Kalil Siqueira da Luz – Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável (Universidad Agraria de la Habana) – EMATER/PI.

É objetivo desse Grupo de Trabalho (GT) analisar os principais avanços e desafios das políticas públicas de aproximação da Ater aos processos e abordagens agroecológicas, assim como, refletirmos sobre as estratégias de promoção de mercados alternativos para os produtos de base agroecológica. No Brasil, a partir dos anos 1990 ocorre uma reorganização na agenda das políticas públicas direcionadas ao meio rural, sobretudo, com a entrada de novos atores sociais na cena política, em especial, as organizações do terceiro setor do campo agroecológico que vem lutando por políticas públicas que assegurem mercados para produtos diferenciados na sua origem, no seu manejo e na sua história. Assim, o meio rural passou a contar com um conjunto de políticas públicas diferenciadas para categorias sociais que sempre estiveram alijados dos instrumentos públicos com vistas ao bem viver no campo e a manutenção dos seus modos de vidas. No Piauí, esse debate torna-se urgente pela incipiência de ações de assessoria técnica com viés agroecológico com ênfase no fortalecimento dos diversos modos de agriculturas de base familiar praticadas em todo território piauiense. Isso posto, esse (GT) se propõe a acolher trabalhos que problematizem temas que tomem como referência: a) políticas públicas de ATER e agroecologia; b) novos espaços de comercializações, interações e valores com a prática das cadeias de proximidade (agricultores/as consumidores/as); c) dimensão social da produção e consumo de alimentos de base agroecológica; d) interações e conflitos entre Estado e Sociedade na construção de mecanismos que garantam a execução da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural - PNATER para a agricultura familiar; e e) Programas de fomento a interações horizontais entre agricultores e agricultoras, comunidades, educadores(as) e pesquisadores (as), criando um ambiente favorável para a produção de conhecimentos agroecológicos.

GT 05 – Agrobiodiversidade, sementes crioulas, raças nativas, extrativismos sustentável Coordenação:
-Francisco das Chagas Oliveira - Doutor em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. Embrapa Meio-Norte
-Luzineide de Fernandez Carvalho - Doutora em fisiologia Vegetal. Colégio Agrícola de Teresina/CTT/ UFPI.
-Profa. Dra. Isolda Marcia Rocha do Nascimento - Doutora em Ciência Animal. Colégio Agrícola de Teresina/CTT/ UFPI.

Este grupo de trabalho buscará ampliar os esforços sobre a reflexão e sistematização em torno do tema da agrobiodiversidade e extrativismo sustentável, posicionando-os como parte das estratégias centrais na promoção da Agroecologia como prática, movimento social e conhecimento tradicional e científico, na constituição da base genética de sistemas de produção agroecológicos, na promoção da segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento sustentável. Para efeito conceitual, consideramos a agrobiodiversidade como a biodiversidade que é utilizada para o cultivo e com finalidade alimentícia, festiva, religiosa, dentre outras, as quais englobam os valores sociais e culturais de uma comunidade, bem como sua relação com o agroecossistema. Produtos do extrativismo são bens gerados a partir de recursos da biodiversidade local em cadeias produtivas de interesse de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. Essas cadeias são constituídas por atores interdependentes e por uma sucessão de processos desde a produção e processamento até a comercialização e consumo de produtos com identidade cultural e incorporação de valores e saberes locais. Espera-se receber contribuições por meios de relato de experiências e estudos realizados nos diferentes biomas, no Piauí, com a finalidade de promover o desenvolvimento rural sustentável, priorizando o empoderamento da agricultura familiar, dos povos e comunidades tradicionais, das mulheres e dos jovens, voltados para a: (a) avançar na sistematização de informações relacionadas à conservação, uso e manejo dos recursos genéticos locais de origem vegetal e animal; (b) discutir os principais desafios para implementação de políticas públicas de promoção do resgate e valoração da agrobiodiversidade e do extrativismo sustentável; (c) identificar suas implicações em alternativas de renda para famílias agricultoras, em conservação ambiental e em melhorias na alimentação e nutrição.

GT06 – Cultura e comunicação.
Coordenação:
-Caio de Meneses Cabral – Professor de Extensão Rural da UFPI – CPCE – NAGU.
-Sarah FontenelleSantos – Mestra em comunicação Social. UNIFACEMA.
-Pedro Henrique Miranda Lima Moura – Graduando em Artes visuais na UFPI.

Durante o X Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA do Cerrado, realizado em Brasília em 2017) acolhemos a proposta de animar a construção do GT de Cultura e Comunicação da ABA. Cultura e comunicação são caminhos, componentes, cuidados na construção da agroecologia e afloram seu entendimento e suas possibilidades enquanto movimento, ciência e prática. A cultura na agroecologia ou a agroecologia enquanto cultura se expressa nos saberes dos povos nos diferentes territórios, na estreita associação com seus modos de vida, as estratégias de convivência e relação com a natureza, suas crenças, cantos e moradas. A cultura alimenta o saber, anima a troca e interação entre diferentes saberes, mantém viva a relação dos sujeitos coletivos e seu entendimento enquanto povo. A cultura, entendida como matriz cultural, da semente à mesa, dos festejos de plantio, colheita e fé, expressões artísticas e manifestações populares - o que define a identidade de um povo. Compreendemos inicialmente a Cultura articulada à Comunicação, pois para nós a comunicação é capaz de dar movimento às vozes que vem dos territórios, tecendo anúncios, ajudando a demarcar os espaços e a mostrar as resistências que emanam do povo, sua criatividade e ação. Sempre que necessário também faz denúncias, do que oprime o povo, do que dificulta e impede a construção da agroecologia. O GT ou Coletivo de Comunicação e Cultura, em plena fase de gestação inicial, é coletivo aberto e plural. Se for possível separar e isolar os sujeitos em sua complexidade e dinâmica, podemos dizer que o grupo é composto por educadoras e educadores, estudantes, pesquisadoras/es, artistas de diferentes regiões do país, por fragmentos ainda pequenos do povo e sua diversidade. Desse mosaico plural de possibilidades está em construção os objetivos, as propostas de ação e as formas de atuação solidária em rede desse grupo. Esse texto foi criado para gerar os primeiros passos do GT de Cultura e Comunicação da ABA e agora caminha outro passo no estado do Piauí, território de cultura e comunicação, de resistência e Agroecologia. Espera-se receber contribuições por meios de relato de experiências e estudos realizados nos diferentes biomas, no Piauí, com a finalidade de promover o desenvolvimento rural sustentável, priorizando o empoderamento da agricultura familiar, dos povos e comunidades tradicionais, das mulheres e dos jovens, voltados para (a) sistematização de experiências com comunicação popular e Agroecologia; (b) sistematização de experiências com cultura popular e Agroecologia; (c) comunicação e cultura em projetos agroecológicos; (d) manifestações culturais em comunidades rurais; (e) políticas públicas de comunicação e/ou cultura em comunidades rurais.

GT 07. Educação, construção do conhecimento agroecológico e metodologias participativas.
Coordenação:
-Valéria Silva – Dra. em Sociologia Política. Universidade Federal do Piauí
-Marli Clementino Gonçalves – Dra. em Educação. Universidade Federal do Piauí
-Samuel Felipe da Silva – Graduando de Ciências da Natureza-UFPI.

Epistemologicamente, a Agroecologia situa-se no campo da superação do paradigma hegemônico de construção do conhecimento, adotando uma postura teórico-metodológica distanciada do pensamento cartesiano. Ao filiar-se ao paradigma científico emergente, entende a construção do conhecimento científico enquanto fazer humano, ambientado em certa realidade, portanto, dialogando com as limitações e controvérsias desta condição precípua. Tal delimitação implica que o conhecimento construído exiba características de incompletude, contingência, objetividade limitada e ausência de neutralidade, dentre outros aspectos realçados pela revisão feita ao paradigma hegemônico na contemporaneidade. Desta referência, para o conhecimento agroecologicamente construído, as dinâmicas humanas e a natureza ocupam lugares ativos e complexos, devendo ser compreendidas a partir da articulação de vários tipos de saber e das diversas áreas do saber científico propriamente dito. Do ponto de vista dos sujeitos do conhecimento, entende que estes são vários e estão posicionados fora da relação vertical e dicotômica, onde os extremos do processo são ocupados por alguém que constrói e outrem que expecta tal construção. Postula, outrossim, uma relação horizontal e uma dinâmica dialógica, onde os sujeitos do conhecimento (no plural) partilhem saberes assentados tanto na investigação estrita, quanto na experiência proveniente das relações construídas socialmente, no decorrer das trajetórias humanas. Neste contexto, a participação efetiva aparece como a estratégia que garante a expressão da potencialidade de contribuição de cada pessoa, em cada experiência teórico-metodológica. A partir deste postulado geral, interessa a este GT criar e estimular um ambiente coletivo de discussão acerca dos fazeres agroecológicos existentes no Piauí e fora do nosso Estado/país que tomem por referência: 1. As relações pedagógicas desenvolvidas no campo da agroecologia, tematizando ensino-aprendizagem, conteúdos praticados, experiências didáticas em geral, dentre outros; 2. As discussões epistemológicas ancoradas nos fazeres diversos aos quais a Agroecologia se dedica; 3. As metodologias participativas utilizadas pela Agroecologia enquanto estratégias de trabalho técnico e formação técnica e/ou sócio-política dos sujeitos envolvidos.

GT08 - Transição agroecológica
Coordenador/a:
-Cristiane Lopes Carneiro d’Albuquerque - Doutora em Agronomia pela UNESP. Colégio Agrícola de Teresina/CTT/ UFPI.
-Luiz Carlos de Melo Júnior -Mestre em Agronomia pela UFPI- Instituto Federal do Piauí – IFPI.

No Brasil, nas últimas décadas presenciamos o crescente movimento a favor do processo de transição da agricultura convencional para a agroecológica. Essa proposta de produzir alimentos que contemplem, simbolicamente, o corpo e a alma, pretende modificar relações sociais expressas numa visão diferenciada do espaço produtivo, das relações dos sujeitos com o meio ambiente, dos sujeitos entre si e da sua apropriação de novas tecnologias mais justas, inclusivas e que promovam qualidade de vida. Todavia, pensar a produção de alimentos nas suas várias dimensões, como o resgate da tradição com a troca de sementes e práticas utilizadas há muitas gerações é, sem sombra de dúvida, pensar na manutenção da identidade de um povo através da sua ancestralidade. Esse processo de experimentação agroecológica tem sido protagonizado por uma multiplicidade de sujeitos sociais, tais como: agricultores e agricultoras do campo e da cidade, estudantes e professores dos diversos níveis educacionais, pesquisadores, técnicos de assessoria e representantes das culturas locais. Esses atores vêm percorrendo caminhos, conceitualmente, denominados por Transição Agroecológica, sendo esta, um processo gradual de adequação das formas produtivas de manejo de culturas e plantações para métodos sustentáveis considerando os aspectos: produtivos, econômicos, sociais, ambientais, culturais, éticos e políticos. Isso posto, esse Grupo de Trabalho (GT) se propõe a acolher trabalhos sobre investigações e experiências que abordem os seguintes temas: a) a Transição Agroecológica enquanto técnicas e práticas diferenciadas na organização social e cultural dos/as agricultores/as; b) agroecologia como espaços de integração e diálogos multidisciplinares entre conhecimentos científicos e saberes locais; c) manejo dos agroecossistemas; d) processos de certificações.